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XXI: O agravamento da violência virtual como entretenimento. O porquê de o sangue do outro é sempre mais vermelho.

Por que não conseguimos tirar os olhos da carnificina? 

A estética sombria sob os olhos do público é um deleite macabro para o cérebro.

A sedução pelo imoral.

Catarse é o fenômeno originário da filosofia de Aristóteles, sendo um conceito muito amplo, que significa a purificação aos prazeres e reorganização da anormalidade – e está ligado de modo intrínseco à tragédia no teatro grego. 

Levando isso em consideração, o que conteúdo que o telespectador consome diz sobre sua psiquê? De acordo com isso, o espectador sente-se aliviado com as tensões sendo liberadas diante de sua tela, dado em conta que está em um ambiente seguro e confortável.

Existe um termo chamado "dessensibilização" que ocorre dado o quanto você consome de um assunto, como ver noticiários violentos: quanto mais casos de assassinato, mais comum se torna, logo, não é mais uma surpresa para ninguém não possuírem a mesma empatia como da primeira vez. Isso pode causar paranóia, ansiedade e uma famigerada sensação de injustiça. 

O sangue e a empatia.

A sede por sangue não é incomum, na realidade, é arcaica e faz parte da nossa história desde os primórdios da humanidade. O true crime é quase como uma trend das redes sociais, um entretenimento sanguinolento disfarçado de maquiagens fofas com embalagem de morango. Há uma porcentagem maior de mulheres que consomem o true crime, como elemento de auto preservação e proteção: já que muitas são mortas e violentadas todos dias, a cada minuto de cada hora. Assim, é possível identificar os sinais de perigo e também explica a vigilância. Isso se dá também a empatia e o senso de se colocar no lugar da vítima, e quando o agressor é capturado, há um alívio que nem sempre é visto na realidade.

Na psicanálise de Freud, existe a sublimação – a canalização através da arte, esportes e outros meios de personificação de tais impulsos – que contrapõem a civilidade, que impõe as leis, mas também as limitações dos impulsos. A violência atrai tanto quanto repele.

Isso pode se aplicar também à Pulsão da Morte, onde entramos nesse estado de desintegração e agressão, sem sequer um arranhão. E há também a satisfação vicária, afinal, não é atoa que vivemos em uma sociedade onde prefere ligar o celular para gravar a violência, ao invés de denunciá-la. Há uma satisfação entre ser a pessoa que grava, desfrutando da agonia do outro. O que os olhos vêem, o coração não sente.

O medo como combustível.

O aumento da violência contra a mulher no Brasil é transmitido pelas telas como um show circense de impunidade e horror, onde é apenas um número, dentre vários outros números. Há vídeos que incentivam a violência disfarçada de risos, há vídeos de influences ditando como uma "mulher de valor" deve se portar (mesmo que o valor seja determinado por uma tatuagem de borboleta), e relativização de crimes bárbaros por figurinhas que gritam deboche. Vivemos em um eterno teatro onde quem recebe mais aplausos (likes), tem um passe livre para a violência exacerbada e cruel.

No fim, o medo nada mais é uma prudência assim como um viés para violência. Ao olhar para o abismo, o mesmo observa para dentro de sua alma – reflete a realidade na qual convivemos. O importante é não permitir que o mesmo não consuma, afinal, humanos não nasceram para violência explícita. Os humanos nasceram para propagar a empatia em um mundo violento, entretanto, qual é a sua ideia para essa questão, se são os humanos que mais propagam violência no mundo?

Por Evelyn LaBelle.

2026 Evelyn LaBelle 

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